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Conversas de café e outros devaneios...

greendale

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Eureka!

Ia eu a caminho da aula de catalão e justamente à saída do metro deparei-me com um jovem - ou uma jovem, nem sei... - de mão estendida supostamente distribuindo publicidade. Recebi o que me oferecia com o mesmo entusiasmo de todas as outras vezes, ou seja, nenhum. Porém, a realidade é que me veio parar às mãos uma Revista Gratuita de Cultura de seu nome "Eureka!". A ideia pareceu-me fascinante mesmo antes de desfolhear a dita cuja. Uma revista gratuita de cultura que já vai no seu número 2. Nem o nosso saudoso "Acontece" tinha tamanho alcance...

Ao chegar a casa, e depois de passar a perceber um pouco melhor o que é essa coisa do "Estatut", dediquei alguns minutos a esta tão notável iniciativa. Na capa, mesmo por baixo do nome que lhe dá identidade estava escrito: "No te acostarás sin saber una cosa más!" O desafio pareceu-me aliciante, embora não o tenha cumprido na íntegra já que a leitura que efectuei foi mais para chamar aos gritos pelo sono do que propriamente para desenvolver o intelecto.



É a partir daqui que surge esta nova estória.

No dia seguinte, fui visitar um colega de curso ao colégio onde este lecciona. Ao chegar, fizeram-me esperar numa sala decorada apenas com revistas, qual sala de espera de uma clínica particular. Enquanto (des)esperava pelo término da aula do meu colega para que este me viesse finalmente receber, fui desfolheando desinteressadamente as revistas que aí estavam, revistas estas que não tinham como tema central a chamada "cultura" e muito menos eram gratuitas.

Às páginastantas - expressão a ser entendida no seu sentido literal - encontrei um artigo que me despertou grandemente o interesse e que fez com que, de facto, hoje me vá deitar sabendo algo mais. E um algo mais bem surpreendente. Tratava-se de uma entrevista a um médico da linha Darwiniana (José Enrique Campillo) que afirmava o seguinte: "El parto humano es prematuro. En eso nos parecemos a los pájaros". No princípio esta frase nada me disse, mas prossegui a leitura...

Este senhor refere ter-se dado conta que a mulher tem sido entendida num plano secundário do ponto de vista evolutivo (nem vamos entrar por outros caminhos) e que isso é uma mentira bem redonda. Na mesma linha, este cientista salienta que "todo el mundo dice que lo que nos hace al humano es el tamaño del cerebro, nuestra cabeza grande. Pero si no hubiera evolucionado la cadera de la mujer para poder parir el cráneo tan grande que tienen nuestros niños, no hubiera habido cerebro". Acrescentou ainda que "El parto humano es un parto prematuro a escala zoológica. Eso también cambió la relación de pareja, la colaboración de los machos en la cría y alimentación de sus hijos". E terminou com a incrível afirmação de que até a menopausa não é fruto de um qualquer acaso pois "como las crías humanas necesitan seis o siete años para poder ser independientes, si las mujeras tuvieran crías a edades muy avanzadas seguro que morían antes de que sus hijos fueran independentes". A menopausa foi assim um truque inventado pela evolução da nossa espécie. A faceta biológica do ser humano revelando toda a sua força.

Assim, facilmente concluí que tenho acreditado - e estudado - erradamente, ou melhor, de forma incompleta, mesmo tendo em conta o forte incurso que tenho feito pelos acontecimentos suportados pela filogenia e ontogenia. De facto, o bebé humano não nasce tão "incapaz" apenas para adquirir uma adaptação ao mundo mais hábil, mas também por uma impossibilidade físico-motora da mulher que não tem a capacidade de dar à luz num momento mais adiantado do processo de desenvolvimento. Logo, a criança humana nasce bastante antes do seu nível óptimo de sobrevivência e independência estar adquirido. Algo que acontece com quase todos os outros mamíferos, embora o mesmo não ocorra com as aves que só estão aptas para voar bastante depois do seu aparecimento no mundo. Entenda-se a real metáfora.

Passo a acreditar que, para além do desenvolvimento da mão (através da pinça digital polegar-indicador) e do cérebro (que está relacionado com a anterior), temos de enumerar também a adaptação brutal que a cintura pélvica da mulher sofreu para que a reprodução se pudesse suceder. Algo que, tendo em conta o complexo e simultâneo processo de aquisição do bipedismo, é absolutamente notável.

Bem hajam, também desta vez, as mulheres e mães deste mundo!

Assim, a mensagem que a revista gratuita de cultura me deixou acabou por ser bem mais forte do que a própria revista em si. Penso que será essa a ideia. E foi bem conseguida.

Será esta a realidade que mais interessa das coisas. Não estas em si mesmas, mas a ideia que conferem, ou seja, o estímulo que nos deixam.

Aprender uma coisa cada dia é mais do que um estímulo. É uma obrigação.

3 Comments:

Blogger Francisco said...

Em primeiro lugar: estória ou história?
Ver definições correspondentes.
Neste caso, não contem comigo para revivalismos. Para mim será sempre, histórias que se contam. Mas é uma interpretação pessoal.

Agora o que interessa realmente.
As mais que complexas particularidades da mulher e da evolução; Eureka; a aprendizagem.
É-me difícil poder acrescentar alguma coisa a este extraordinário post devido às imposições técnicas que o mesmo incorpora. Ainda assim, gostaria de opinar, embora de uma forma talvez demasiado simples, sobre o que está em causa.

A mulher e a evolução: Dou a minha vida pela importância dos conceitos (entenda-se a hipérbole).

Eureka: Quando uma revista é gratuita tem sempre um interesse inquestionável (excepções feitas às de publicidade e às nº1)

Aprendizagem: Um direito.

12:35 da tarde  
Blogger Kata said...

Estória, história e História. Assumi estas trÊs definições segundo a minha própria interpretação, o que não quererá dizer que não valha a pena reve-las. De qualquer modo aqui fica:

Estória: episódios do quotidiano de cada um.
história: factos com princípio, meio e fim de alguma situação em concreto que sai do foro pessoal (a história de uma instituição, por exemplo) ou contos formais (como os de la fontaine).
História: a História Universal. Aquela que, por exemplo, define o presente de um país.

De qualquer modo, quando se aponta para a lua o pior que se pode fazer é, claro está, olhar para o dedo!

Em relação à aprendizagem mantenho a questão da obrigação. E por uma razão muito simples. Quando nasces nada sabes e sofres uma adaptação ao mundo brutal. Não tens outro remédio senão nem sequer sobrevives. A aprendizagem é, assim, uma necessidade.É como trabalhar. Trabalhas porque necessitas. Como necessitas não tens outro remédio, logo, é uma obrigação imposta pelo próprio mundo(mesmo que adores o teu trabalho). Assim, ou aprendes ou...vais à vida!

Para terminar xiquito... o comentário fantasma: atenção à correcção dos posts!excepção leva mesmo "p".Antes de discutirmos a gramática - como tanto gostamos - é melhor não dar tiros nos pés!E logo nos dois! ;)

Um abraço do tamanho do mundo!

Logo à noite bebo um copo por ti!
Amanhão vou ao Camp Nou!
Terça vou ver Radio Tarifa!
Dia 9 estou batidissimo em rinôçérôse! :)

5:51 da tarde  
Blogger Francisco said...

Batidíssimo tem um acento agudo no segundo i. ;p

7:52 da tarde  

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