"FUCKING BELGIUM WEATHER"
Há dias assim...
Acordamos vermelhos do calor do quarto. O aquecimento ficou ligado durante a noite e o corpo esse, está mole e cansado. Abrimos a janela esperando a luz rejuvenescedora e não encontramos mais do que um céu tenso e opaco. O vento não sopra forte, mas as pessoas enfiam vigorosamente as mãos nos bolsos dos anoraks e sobretudos, enquanto encolhem os ombros apertando-os contra as orelhas. Não se entende se os encolhem pelo frio ou se pela rotina que já não desafiam. Talvez chova.
O rolar das bicicletas corta-nos com a mesma profundidade das buzinas dos carros, enquanto que as folhas das árvores, outrora resplandecentes, estão caídas no chão ou esvoaçam ao ritmo das passadas que as cruzam.
Perplexos e resignados, limitamo-nos a observar participativamente.
A solidão da multidão é asfixiante e as miradas que se cruzam nos transportes públicos vazias. O que vemos não nos interessa nem agrada. É melhor encostar a cabeça ao vidro, fechar os olhos e tentar sonhar com algo reconfortante. Realmente parece que estamos todos a levitar e que o tempo não passa de acordo com o avançar dos ponteiros. Somos etérios.
No meio da dormência sentimos ternura em algo. Pode ser o toque suave da lã ou o quase esboçar de um sorriso numa cara bonita. Pode ser outra (in)significância qualquer. Então sentimo-nos bem e convencemo-nos de que vale a pena. É como se a tristeza também tivesse a capacidade de rir, de ser e estar alegre, sem deixar de ser melancólica. Chora, desfrutando contente esse simples facto.

Há dias em que o mundo nos envolve por completo e não temos outro remédio senão, solidamente, baixar os braços. De um modo consentido e acima de tudo imperativo, somos levados pela corrente, qual camisa de forças impossível de fugir.
Perguntam-nos se se passa algo. Respondemos que não. Óbvia e sinceramente.
E não entendemos o porquê dos nós que temos no peito, pois a nossa carinhosa introspecção restringe-se, provavelmente, ao cinzento outonal do céu.
Estes dias também chegam ao fim, assim como já se silenciaram as notas musicais dos Air com o seu "Playground Love".
Amanhã certamente fará sol.
Acordamos vermelhos do calor do quarto. O aquecimento ficou ligado durante a noite e o corpo esse, está mole e cansado. Abrimos a janela esperando a luz rejuvenescedora e não encontramos mais do que um céu tenso e opaco. O vento não sopra forte, mas as pessoas enfiam vigorosamente as mãos nos bolsos dos anoraks e sobretudos, enquanto encolhem os ombros apertando-os contra as orelhas. Não se entende se os encolhem pelo frio ou se pela rotina que já não desafiam. Talvez chova.
O rolar das bicicletas corta-nos com a mesma profundidade das buzinas dos carros, enquanto que as folhas das árvores, outrora resplandecentes, estão caídas no chão ou esvoaçam ao ritmo das passadas que as cruzam.
Perplexos e resignados, limitamo-nos a observar participativamente.
A solidão da multidão é asfixiante e as miradas que se cruzam nos transportes públicos vazias. O que vemos não nos interessa nem agrada. É melhor encostar a cabeça ao vidro, fechar os olhos e tentar sonhar com algo reconfortante. Realmente parece que estamos todos a levitar e que o tempo não passa de acordo com o avançar dos ponteiros. Somos etérios.
No meio da dormência sentimos ternura em algo. Pode ser o toque suave da lã ou o quase esboçar de um sorriso numa cara bonita. Pode ser outra (in)significância qualquer. Então sentimo-nos bem e convencemo-nos de que vale a pena. É como se a tristeza também tivesse a capacidade de rir, de ser e estar alegre, sem deixar de ser melancólica. Chora, desfrutando contente esse simples facto.

Há dias em que o mundo nos envolve por completo e não temos outro remédio senão, solidamente, baixar os braços. De um modo consentido e acima de tudo imperativo, somos levados pela corrente, qual camisa de forças impossível de fugir.
Perguntam-nos se se passa algo. Respondemos que não. Óbvia e sinceramente.
E não entendemos o porquê dos nós que temos no peito, pois a nossa carinhosa introspecção restringe-se, provavelmente, ao cinzento outonal do céu.
Estes dias também chegam ao fim, assim como já se silenciaram as notas musicais dos Air com o seu "Playground Love".
Amanhã certamente fará sol.
1 Comments:
...e mesmo que o sol não se empoleire num céu só dele e se esconda aborrecido por entre as viajantes da cor da cinza, o teu ensinamento aconchegar-se-à num sorriso que desponta constante, errando pelos enleios invernais, envolto translúcido nos tons negros do Inverno.
Um post singular. ;)
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