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The Sun Green Hills

Conversas de café e outros devaneios...

greendale

quinta-feira, maio 11, 2006

O t'xico


Foi com enorme pesar que recebi a triste notícia da morte do t'xico depois de me ausentar um tempo da minha aldeia.
Todos os dias, depois de almoçar, a caminho do café do largo da areeira, eu encontrava-o com o seu irmão t'joaquim e outros amigos de infância sentados na paragem dos autocarros no mesmo largo da areeira e cumprimentava-os dizendo: Boa tarde, senhores. Boa tarde Francisco, retorquiam eles ternamente. Eu sorria assim como eles.
Essa paragem era o ponto de encontro desse meu conterrâneo e de seus amigos, meus outros conterrâneos. Lá sentiam-se bem. Nos cafés não estão tão à vontade pois ocupam o espaço para falar do tempo e dos outros segredos que a agricultura encerra e não pagam esse espaço. É que os proprietários reclamam um pagamento, nem que seja um copo de três de hora a hora, no mínimo. Mas os nossos senhores mesmo com alguma jorna que lá vão ganhando para juntar à reforma continuam com o cinto apertado, que isto de chegar aos setentas ou oitentas requer uma manutenção que não vai só com água, pão e vinho e o que se ganha é pouquinho.
Assim, sem que haja outro sítio onde se possam sentar e conviver em conjunto - convém que seja em conjunto já que a solidão espreita a cada canto, e nesta idade vê-se muito mais do que nós, gente mais nova, consegue imaginar. Eles vêem o que se esconde por baixo do hábito que a solidão veste e isso é a única coisa que lhes faz sentir medo. E olha que a esta altura já nem as cobras metem medo.
Fez-se uma nova auto-estrada; A Sala Elíptica da Escola Prática de Infantaria acolhe um concerto pela Orquestra Sinfónica Juvenil; O peixe e marisco dão o mote para mais uma edição da mostra gastronómica, organizada pela Junta de Turismo da Ericeira; etc; .
Não sei se o t'xico se iria interessar por algum destes eventos. Não sei se o t'xico sabia ler ou usar internet. Não sei se o t'xico estaria disposto a apanhar um autocarro ou ir de boleia com alguém para não sei onde. Sei sim que o t'xico passou os seus últimos tempos na companhia do irmão e dos amigos numa paragem de autocarros e o seu último mês de vida num lar de terceira idade.

4 Comments:

Blogger Kata said...

Estava no outro dia a ler um artigo sobre a velhice. Do valor de ser velho e da desvalorizaçao que lhes e conferida. tambem falava dos medos que se lhes surgem como a solidao e o sentido de inutilidade ou a vergonha q sentem do seu proprio corpo. O autor dava umas pinceladas no quao importante seria dar atençao aos idosos e de como isso era feito antigamente, pois sao eles o elo de ligaçao entre as geraçoes, quem transmite a cultura, os guardiaes do tempo.

Dei por mim a pensar no que ira acontecer a esta sua funçao. Na geraçao na qual tambem me incluo, a geraçao do consumo imediato, do usa-e-deita-fora, do constantemente desactualizado (e nao falo de informaçao mas sim das novas versoes das play stations &co.) penso que infelizmente nao havera lugar para entender a sabedoria simples de quem e velho. e tenho tanta pena disso. antigamente o velho e o novo pouco diferiam, os seus caminhos de vida numa qualquer idade media assemelhavam-se tanto... hoje, que em 10 anos o mundo muda, o Homem nao tem tempo de se manter ao mesmo ritmo. as novas geraçoes aliciadas pela areia que tem nos olhos a que se chama modas&publicidades e demais cretinices nao atingem - nao atingimos na maior parte dos casos - nem aceitam nem pretendem qualquer contacto com o que ja nao e novo nem fresco.

Um velho agricultar parado a segurar a enchada e a olhar a sua cultiva, um velho pescador sentado no seu barco de olhos postos no mar ou o sabio professor que saboreia mais um livro sao imagens a reter e a explorar profundamente.

Pelo contrario, homens como o t'xico acabam a sua vida no lar de idosos de mafra. o seu ultimo mes, onde talvez ate tenha sido depositado para la morrer.

lembro-me bem de tambem por la passar com o francisco e tambem eu dizer ola. um ola bem mais timido ou nao fosse eu um rapazola de fora. mas a ternura da imagem. a simplicidade da sua sabedoria tambem me enterneceu. e a sua morte tambem me deixou a pensar. a pensar em tudo o q representa chegar a velho neste mundo.

Talvez fosse melhor fazermos todos umas plasticas. assim seriamos novos para sempre. what a fuck.

um abraço grande t'xico. um abraço enorme p todos os t' deste mundo e para todos aqueles que por momentos lhes dao a alegria de serem escutados e atendidos.

6:53 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Ó Kata, aqui é para os comments... Fazer posts é no outro lado!!
E o que é "...um velho agricultar..."?? Ah, a seguir a um ponto, e/ou no início de uma frase, usa-se letra maíuscula... e não, não vou falar da acentuação...
Quanto ao "Talvez fosse melhor fazermos todos umas plasticas. assim seriamos novos para sempre. what a fuck." - No Comments...

P.S.-Escusado será dizer que este meu comment não pretende nada mais a não ser... irritar-te como só eu sei fazer!! E que saudades de fazê-lo pessoalmente, meu bom "velho" amigo!! Um enorme abraço e tudo de bom!!

5:16 da tarde  
Blogger Kata said...

O velho mini a dar os tiros nos pes do costume. maiúscula leva acento no U e nao no I.

es bunitao!!!!!!!!!!

um abraço saudoso para ti, giritricky.

7:10 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Olha!! Afinal o teu teclado tem "Caps Lock"!! Ah, já agora... "És" leva acento no E, assim como a palavra "pés"!! E "bonitão" leva um til em cima do A. E a seguir a "costume" tem ponto final, portanto faz como te ensinei! Deverias ter escrito a palavra "maiúscula" com letra maiúscula!! LOLOLOL!!!
Pronto, eu páro!! Desculpem estar a estragar-vos o blog!! Grande abraço cheio de saudades!! Tudo de bom, amigo Katóides!!

9:32 da tarde  

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