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sexta-feira, dezembro 04, 2009

A festa do futebol

Mundial: sem-abrigo escondidos em «campo de refugiados»
Autoridades da África do Sul «limpam» Cidade do Cabo


A Cidade do Cabo veste fato de gala para o sorteio da fase final do Campeonato do Mundo de 2010. Celebridades, ligadas ao desporto e não só, concentram-se na capital da África do Sul para abrilhantar um evento que serve de cartão-de-visita para o torneio. A 20 quilómetros da cidade, empilham-se os sem-abrigo afastados do centro da Cidade do Cabo nos últimos tempos.

As autoridades da capital da África do Sul criaram a «Symphony Way Temporary Relocation Area» em 2007. Localizada em Delft, a área tem cerca de 1.500 estruturas com uma única divisão, feitas com paredes de lata e tectos de zinco. 18 metros quadrados cada. Os locais encontraram um nome mais apropriado. Esta é a Blikkiesdorp, «Cidade de Lata», na língua nativa.

Jerome Daniels, activista da Western Cape Anti-Eviction Campaign, garante ao Maisfutebol que os sem-abrigo da Cidade do Cabo estão a ser deslocados compulsivamente para a Blikkiesdorp
, criando uma situação insustentável para os seus habitantes. «E isto é só agora para o sorteio. Lá para Maio, um mês antes do início do Mundial, serão milhares de pessoas a serem atiradas para cá, escondidas do Mundo», começa por dizer.

«Isto parece um campo de refugiados, parecemos judeus na época nazi. Na semana passada, retiraram 20 famílias que estavam em casas (ndr. habitações devolutas e sem condições) perto do estádio há 25 anos e colocaram-nas aqui. As autoridades chegam sem ordens do tribunal mas não querem saber disso. E como disse, em Maio vão limpar a cidade em peso, vai ser uma desgraça», alerta.

«Querem esconder estas pessoas do Mundo»

Delft é uma localidade próxima da Cidade do Cabo, bem perto do aeroporto internacional. As selecções que chegarem à África do Sul poderão vislumbrar, no momento da aterragem, esse cenário grotesco. Depois, virá a imagem de luxo, os estádios e hotéis, o retrato perfeito pintado pelos organizadores do Mundial e pela FIFA.

«Apesar de estar localizada a cerca de 20 quilómetros do estádio, a 15 dos limites da Cidade do Cabo, a verdade é que a Blikkiesdorp está longe de tudo. Não temos transportes, temos de fazer vários quilómetros a pé para chegar a algum lado. Já percebemos a intenção dos políticos: querem esconder estas pessoas do Mundo. Mas esta também é a realidade da África do Sul», alerta Jerome Daniels.

Os residentes da Blikkiesdorp e aqueles que montam as suas tendas nas imediações (Os Symphony Way Pavement Dwellers preferem ficar no exterior, em tendas, face à onda de criminalidade no local) procuram lutar contra o esquecimento e a exclusão. «Não há condições sanitárias, multiplicam-se os vírus, não há escolas, nada. Agora, que estão a trazer os sem-abrigo para cá, isto está a tornar-se cada vez mais um paraíso para os criminosos, os traficantes de droga. As pessoas têm medo de sair à rua, até durante o dia.»

A Blikkiesdorp tem arame farpado a toda a volta. Naquele descampado transformado em «campo de concentração», ninguém se move sem o consentimento dos policiais colocados na única entrada, em dois veículos de controlo de multidões. No fundo, constroem-se mais estruturas de lata, para os que estão a chegar. Eles não farão parte do Mundial.

In "www.maisfutebol.iol.com"

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